sábado, 16 de setembro de 2017

Quando ele parte




O amor sempre morre.
Num final de tarde 
Em uma nesga de tempo
Num rasgo de ilusão
De forma tempestuosa
entre lençóis...
Morre no silêncio das vozes
Em ecos solitários
Perambulando por praças,
cinemas,ruas escuras, 
na inércia dos sentidos.
O amor morre restando apenas 
um leve beijo nos cabelos
a imagem de suas costas e 
 o ruído da porta se fechando.



                                                        Marcia Portella

                                                                                    22/02/12
Imagem_Web

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

No espelho





Olha no espelho.
O que vê são nuances desbotadas
do colorido que já foi intenso.
Curvas bem delineadas,e no olhar
brilho que não cintila como antes.
Seus cabelos estão entremeados
de fios descoloridos.
Ao acariciar o rosto sente como
num sopro de vida marcas
 que o tempo instalou.
Gerou vidas,moldou almas.
Conheceu a paixão indo de um
 abismo a outro à procura de
uma ilusão atrevida...
 O hálito da noite chega manso
 deslizando por sua pele como
 o amor após longa espera.
Com um arrepio no olhar sente 
como alguém que foi embora e sua
sombra ficou vendo a partida
Livre sem algemas-
Ama-se pela primeira vez.


                                         Marcia Portella


Imagem_Francine Van hover

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Versos seus





Em uma tarde de inverno
com o vento mostrando o caminho
e a chuva fina cortando o ar...
Irei à seu encontro vestida de poesia
em estampas de versos seus 
que são como sonhos dentro
 dos sonhos meus.
Cada um dos meus poros estarão
explodindo,faiscando em milhares
de luzes de todas as cores como um
neon intermitente...
Enredada nessa profusão de cores
serei leve sombra perdida,alma que 
agoniza em despedida,saindo invisível
Na madrugada fria...


Marcia Portella

PHOTOGRAPHER Monalli

sábado, 15 de julho de 2017

Medo



Escuto os passos do medo...
Ele avança para que seja
sentido nas sombras da noite.
Esteve o tempo todo rondando
em lugares escuros,açoitado
pelo vento como um fantasma
na cela sombria da memória...
Faz do meu corpo um aquário
onde sua sombra navega esquiva,
vagando por veredas primitivas
da alma ,flutuando,apertando o laço
que envolve a vida.
Nesse momento, a saudade na noite
da existência cambaleia sonâmbula
nas mãos da memória...
Abro o livro do desencontro-não viro
 a primeira página-temo que o medo
 vergue atirado por sombra sinistra.
A espera foi longa,deixou um sabor
amargo como uma falta instalada que
desliza triste...em quase nada.


                                    Marcia Portella


Foto_Marijana Kovacevic

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Borboletas marrons



Eu repito você nessa noite
em que as pessoas são como
fileiras de velas com o vento
balançando suas chamas.

Fecho-me no ataúde e o silêncio 
é completo em ruas estreitas,
abertas em fendas, onde soam
murmúrios que caem quando a luz
rasga as malhas da densa neblina.

Os arbustos gritam no caminho 
dos meus olhos quando minha alma
encontra, as duas borboletas marrons
dos olhos seus...


                                    Marcia Portella

Imagem_Web

terça-feira, 6 de junho de 2017

Espera




À meia-luz entre as frestas da cortina,
contemplo o agito das pessoas
e dos michês no início da noite.

Vejo você chegando todo de branco-
 uma escultura de cera à luz do luar.
Afoga-me em seus braços me abraçando
como se quisesse me esvaziar por dentro.

Sua voz macia,envolvente soa como
o lamento de um blue,crescendo até que
 cada corda nos encontre em harmonia...

Um flash de luz néon rasga a noite, 
mostrando com sua luminosidade nosso
reflexo derretendo,unindo,fundindo o
o amor generoso que derramou em
 meu ventre como a lua sobre a terra...

Ao sair,viro a cabeça como se fosse
enfiar embaixo da asa como um pássaro
que dorme-deixando o amor...
 Com a cor do vento.



Marcia  Portella_

(10/03/10 )

Imagem_Web

domingo, 28 de maio de 2017

Figurante eterno




Deslocada do eixo,derrama 
em ondas no deserto da lógica.
Grita maldição!... sentindo a vida
esvair-se entre seus sentidos.
Abre os braços paralisada em dores,
crucificada entre espinhos...
Blasfema contra as forças da natureza
que continuam passivas,em perene
sanidade ante sua loucura.
Solta os pulsos,tolhe a voz,
encerra-se nas paredes do tempo-
fera que come cinzas,alimenta-se de morte,
tece mortalhas,quebra elos,apaga imagens.
Seu grito, perde-se na solidão do monólogo.
Sombra caminhante,figurante eterno...
No teatro da vida.



                                                      Marcia Portella_Go

                                                                                    28/03/13

Foto-Lindsey-Adler-