terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Adélia,Nina,Cléo






Passou a noite em uma cobertura
quase alcançando as estrelas,
pensando em voar...
Vestiu seu vestido vermelho  
de chiffon... que farfalha
no ondulado... do seu andar.
Deixou flutuando no ar o aroma...
Dhalia Noir de Givenchy...
A noite pode ser... Adélia,Nina,Cléo,
no inferno  ou ...no céu..
Ter olhos de lua,asas de anjo,
corpo de sereia,alma de menina...
Amanhã...talvez acorde em uma
pensão barata,ou quem sabe..
na rua... com a escuridão 
tragando tudo...
Ela é atriz,pertence ao outro
lado do muro...à cidade lasciva,
dilacerante,mundo sombrio 
de vaidades e mistérios inacessíveis,
que esconde a face lívida de...
Adélia,Nina,Cléo....


                                                      Marcia Portella_Go

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Vulto


Rasgo as sedas que em
minhas curvas
transformam-se em algo
liso,fluido,cintilante,
sob à luz da madrugada...
O silêncio está prenhe de
palavras não ditas,
que serão paridas na bruma
 da aurora... num vulto calado,
  que se desfaz na neblina...
Procuro minha alma para ter
certeza que não é uma sombra,
que vive em mim...
Com medo de me encontrar
finjo que não existo... e sem
que perceba... vou diluindo até
que de mim ...de nós dois...
Não reste... mais nada...


                                        Marcia Portella_Go

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ao acaso


Com um roçar de dedos
insinuou-se entre as frestas
da solidão...
Mapeou minha alma...
na inquietude de um corpo
 que pulsa... abrindo as portas
de todos os mistérios...
Destrancou meus sentidos
descobrindo um rosto
 escondido,lavado,só poros
e pele na palidez ...do momento...
Veio como uma sombra encolhida
   encostando em meu corpo...
No fundo da minha alma,
 depositou gritos incansáveis
de lembranças...
Senti nesse momento toda a 
 angústia de ser entregue...
Ao acaso...


                                   Marcia Portella



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Mar adentro


Abismada,olho o mar
que esteve aqui o tempo todo
e eu...não compareci
 à seu encontro...
Quase posso tocar a maresia
que se interpõe entre
as ondas de emoção que
correm dos meus olhos-
frios corredores de sonhos..
Sou arrebentação mar adentro
atravessando no momento
 da tormenta..agitada...febril...
espraiando aos poucos
em um longo rastro de espuma...


                                           Marcia Portella_Go

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Sombras bailarinas


Mesmo que você passe
como a neblina fria
por planícies esquecidas...
receberei seu calor...
Quando sua sombra escondida..
no aquário da memória...me tocar
Serei verso soluçante entre
flores cristalizadas... 
no frio...da madrugada...
No encanto desse amor infinito...
adejando em sonhos...
engolida pela noite...serei
 mancha devorada pela bruma...
 dançando...entre sombras...
 bailarinas..

                                       Marcia Portella

sábado, 14 de setembro de 2013

Chuva de setembro




Se chover em setembro,
Se o amor florescer no ar
e ainda amar você
-irei a sua procura
Se encontrar seus passos
com cheiro de flor
levando um mar de amor
e o tempo der tempo
-lhe encontrarei.
Seja paciente como a tristeza,
Suave como a canção
abra a porta de sua alma
-espera por mim.
Levarei setembro em flor 
em suave alento
mesmo sabendo que...
não haverá...
Outro... setembro


Marci Portella
                                                                             Imagem_Web.
            
                                         

                                              

domingo, 25 de agosto de 2013

Compondo


Foi como um poema..
Devagar...traçando letras...
Misturando notas...
Tecendo melodias em...notas 
 de sonhos...
Olhos leram a partitura.
Mãos viraram páginas.
Buscando música
Correndo em teclas.
Tocando cordas...
Sob o domínio do maestro
surge a sinfonia...afinada...
regida...orquestrada em 
ritmo... alucinante...
                              Chove lá fora....

Marcia Portella

domingo, 18 de agosto de 2013

Olhos de lua




O amor muda infinitas vezes,
como o desabrochar de uma
magnífica flor com leve 
odor de sangue...

Quantas vezes nos amamos,
nos odiamos...nos reinventamos..
Ansiamos por ser um só...e nunca
mais nos ver...
Escrevemos tantos versos
que eram meus e seus..

Tivemos tanto amor,e descaso
que nossas palavras perderam-se
entre sombras...
de um abismo ...sem fim...

Não nos olhamos mais com olhos de lua
que nasciam com pálpebras pesadas
nos avaliando,fazendo com que
nos sentíssemos vistos,ofuscando
nossa razão que alastrava-se no ar
em voejo como um pássaro... ferido..

Já não sou sua...nem somos nós...
Somos mar silencioso,caindo do
do tombadilho...das madrugadas

                                                           Marcia Portella

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Mar de agosto


Olhando na fresta da janela...
vejo que a vida se abre...
nessa amanhã de agosto...
Ao ler seu poema...
senti sua respiração cair
a meu lado...acordando
minha alma...como o orvalho
  num mar....
infindo....... infinito....
trazendo o céu...sobre os lençóis....
A paixão aporta...vinda
das corredeiras doces dos rios,
desaparecendo no esplendor
das águas salinadas...
entre flores.... 
que se abrem ao vento,
ao cair... no mar de agosto..

                                                                Marcia Portella

quarta-feira, 24 de julho de 2013

La belle de jour


Devia ter ido quando 
você me chamou...
Ter amado como você me amou...
Ter tido coragem de ser....
La belle de jour...
Te sentir...plana como uma lápide
sob as folhas do outono...esperando
que de seus galhos..... chovessem
flores em mim....
Parar o tempo... nesse momento...
dizer que te amava...
Sorrir e mentir que era só...
um encontro casual...para ficar
na saudade ...como um poema
ardente...escrito em letras de agonia
com aroma de channel
Na bela tarde....

                                                          Marcia Portella


sábado, 6 de julho de 2013

Em branco



Nessa manhã percebi...
   as ruas empoeiradas,gastas...
As folhas secas sem vida,
penduradas em cansadas árvores
que esgueiram-se confusas,
ao encontro da neblina...
Aquele amor que às vezes  está
perto,profundo,vital animado
da chama divina...
Lembrei do poema inacabado no
fundo da gaveta escura com
o amor imaginado,errado,sentido...
Percebi o olhar perplexo que se perde
em rostos como afastados
por mãos invisíveis;aparecendo uma
máscara esculpida,grave,fria,
sem vida apesar de bela...
Senti o tempo que um dia nos
vestiu de pureza aparecendo precipitado,
gorgolejante na senda dos caminhos,
corroendo aos poucos nossa
 vestimenta dias e noites afora...
Velando nosso olhar triste,cansado...
Escondendo-se dos lamentos 
e risadas alegres...
Percebi,o quanto...nada percebo...

                                                  Marcia Portella



terça-feira, 2 de julho de 2013

Carícia


Carícia é sopro que desliza na pele...
Arrepia,acende o desejo
que se põe em riste... na procura...
No combate corpo a corpo...
o guerreiro cansado...repousa
no pouso...da musa...
que cala...em versos derramados...

                                                                               Marcia Portella


terça-feira, 18 de junho de 2013

Mar ausente


A tarde esfuma-se
 lentamente tocada por
  dedos ávidos da noite...
Rabisco,apago,
volto a escrever em 
 ritmo alucinado...
Letras confusas dançam
descompassadas..
O papel reage aos rasgos
 da indecisão,cria vida
  e roga às palavras que
 sejam breves...
O pensamento cala, 
a razão blasfema,o corpo
 vibra em defesa, acuado...
Sentidos palpitam,
mãos caem em flacidez
deitando-se no colo do
aconchego...
Olhos falam em sua nudez
 crescente versos em breves sons,
deixando um rastro de sonhos...
O grito preso em algemas
de silêncio...corta o ar 
em pedaços de agonia,
morrendo lentamente afogado
em águas salinadas
De mar ausente..

Marcia Portella

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Ouça

Não peço que conte tudo que sente...
Fique em silêncio...
Guarde seus anseios e segredos...
Só diga de sua vida
o que te faz feliz....
E permita que eu participe
desse momento...
Em sua ilha.....






             
Marcia Portella

terça-feira, 11 de junho de 2013

Falando de amor


Deixa-me falar de como te amo:
Te amo da altura do infinito
ao rés do chão...
Em toda profundidade
que minha alma possa alcançar...
Através  do sol,nas orações 
que te concedo ao tremular das velas...
Te amo em todos os meus dias
mesmo que te sinta distante no frio
acelerado das horas que estão
em todos os dias...
Te amo livremente como os homens
que lutam pela paz...
Amo-te com a paixão posta em uso.
Com a pureza de minha infância 
e antigas mágoas que vivem em mim...
 Amo com um amor que me era
desconhecido assim como desconheço
o rosto dos santos ungidos...
Te amo com minhas lágrimas e a
ansiedade de toda uma vida!
E devo te amar mais,muito mais...
Quando partir...

                                                         Marcia Porrtella
                                            

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Sem fim


Da janela,escuto
 o marulho do mar...
Sinto o gosto salinado
 de suas ondas amargarem
em lembranças...
Tranco a memória...
Atraso o relógio do tempo...
Deparo com o presente...
Correndo em segundos...
Perseguindo minutos...
Juntando horas...
Rasgando mortalhas...
Desnudando segredos...
No frio da saudade...
de uma imensidão...
 Sem fim....

                                          Marcia Portella

Invasão


Invadiu minha vida
com um vento parecido
com o hálito das fúrias...
Mudou meu nome..
Rasgou meu endereço...
Apagou meus dias...
Faminto,devorou meus
 segredos,meus poemas,
minha razão,meu silêncio...
Desfolhou-me em versos
melancólicos...
Soltou os alinhavos que
prendiam minha história...
 Fez da poetisa...poesia

                                             Marcia Portella                                    

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Olhos da madrugada


Na noite em que
 nossas vozes calaram,
uma nuvem árida velava a lua;
mão de sombra....  
que encobriu nosso rosto...
A música tornou-se...
 uma valsa negra...
O ar parou,tudo ficou vazio,
sem emoção,
ou evocação do passado...
Não vieram pensamentos amargos
enquanto vagávamos
 em passos lentos,
entre os braços da insônia;
tentando reter...
 um pouco..do que foi..
O frio subia por nossa pele como 
fios de seda entrelaçados....
...invadindo..vasculhando...
procurando... em vão...
No fim..passos abafados..
evaporando....
como o orvalho..que pingava
dos olhos....
                                     Da madrugada....

Marcia Portella

sábado, 27 de abril de 2013

Passageira


Passa...toque delicado...
dedos longos,frios,
como pingentes de gelo...
Olho por cima do ombro,
ele se move escorregando
em minha direção com
seu olhar incandescente,irônico,
como se mal tocasse o chão....
Trás o passado com suas ruas
 sombrias,desoladas,sangrando
em feridas,deixadas pelo cinzel;
lamina aguçada que gravou
memórias desbotadas,
com rostos aprisionados
em antigos retratos abandonados....
..entre folhas...mortas...
Quieta...ouço com espanto...
o ranger da idade...
 encolhendo...entre os braços...
Do tempo...

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Falando sozinha



O que você pensa de mim não importa,
de você só quero a alma;
o que quero da vida são sonhos,poemas,
amor e sensatez,não sei até quando,nem porque...
Por certo me achará uma tola,que faz das letras
refugio de uma vida vazia,talvez,leviana;
Há de rir,ou imaginar amores,tentar
descobrir por um acaso,que as letras choram
no mistério da poesia,sentindo  frio
no sussurro do adeus..
Não importa!eu já estarei no vazio;
Leia minhas folhas amareladas e sinta se puder
o gosto amargo do amor,esse amor que tira
o medo dos olhos e do corpo o pavor...
Talvez descubra que minhas palavras são reles
embustes,grilhões forjados pelo medo de amar..
Sombras mergulhadas num infinito de mentiras;
Palavras que soam na temperança do tempo,
rastejando qual serpente emplumada,
em areia quente do deserto...
Trago sentimentos represados,que gravo
 em preto,no branco do papel,onde ficarão
em letras caladas,escapadas 
de algum lugar,pedaços do que um dia....
Foi poema.....

                                                             Marcia Portella



quinta-feira, 21 de março de 2013

Rocha do tempo


Ao receber as flores
que derramas em mim,
na ânsia fugidia do tempo..
Curvo-me pela última vez
rasgando em sonhos,
a franja lúcida dos sentidos...
Calada cedo ao fio...
O anseio  de ferir...
A pedra que sangra...
Na rocha do tempo..
Rachada com o amor,
que habita em mim...

                  Marcia Portella

Eterna dança






O amor é mar....mistério..
Você é um misto de amor e mar
envolvendo meus sentidos
em ondas íntimas...sussurradas...
Choro na poesia enquanto
nossas almas se esvaem
em despedida...
com sofreguidão e desespero
um do outro...
desfazendo-se em silêncios
sombreados por anseios,
em busca do toque sublime..
Da dança eterna...

                     Marcia Portella

quarta-feira, 13 de março de 2013

Atrás do rosto


Eles não sabem nada sobre ela,
a mulher por trás do rosto,
na tristeza que exibe
 no ollhar que olha além,
e no semi luto,
 que lhe cai tão bem...
Despida por instantes,
vaga entre dois mundos
com sua máscara de paz...
Seus suspiros se estendem
com se fossem agarrar
 nuvens pálidas,
 que pairam na noite
 arrematadas
 por debruns de anjos...
Nessa hora lânguida,estremece
em espamos de paixão,
faz uma vida inteira
caber dentro de uma hora
do mesmo modo,
que um único raio da aurora
 rompe a escuridão
 escondida entre sombras,
 e disfarces...

                         Marcia Portella


Temor


Temo as palavras
como se elas gritassem,
ressentidas,massacradas,
obrigadas a surgir inesperadas,
na ilusão da escrita...
Elas também temem_
se escondem tentando
me conter...
Insisto possessa,atraída
pela maldade
que tem um quase
  cheiro de flores de estufas,
sinistras,furtivas...
Sentindo-me culpada
como o pecado....
Me calo....

Marcia Portella

Ele


Ele viaja por minha casa
como se fosse sua...
Traz a paixão ardendo
entre os vãos da noite...
Bebe meu vinho,
Ouve minhas músicas.
Revira minhas gavetas.
Esconde seu retraro.
Abraça meu silêncio...
Vai embora deixando
uma dor avassaladora_
uma sombra,que
 deslocou do corpo
deixando uma mancha
Na parede...

                          Marcia Portella

domingo, 10 de março de 2013

Hoje

     
 Hoje quero ver a realidade
da existência,
na plenitude
de todos os delírios
mal fadados...
Ficar na linha de fogo
em que persista a bondade,
fingida,e sórdida...
Vislumbrar o breu das almas.
 Palavras expelindo veneno.
Arrogância em traje de luto.
Vaidade rastejando em
fétidos andrajos...
A hipocrisia curvada
ante a virtude,
rompendo o lacre
 da memória,
saqueando a razão...
Abrir a porta da luxúria
com o vagido da vida
 rompendo o tempo...

    Abortando  a morte...

                   Marcia Portella

                               Go_10/01/12