quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Chuva



A chuva entrou no silêncio
Escorreu em gotas mudas
Embaçando o vidro de 
natureza chorada...

Brilhante,gelada e doce
desceu do santuário em
nuvens dissolvidas pingando,
germinando vidas...

Terra molhada, aonde um dia
repousarei meu corpo liberto
Alma libélula,leve,livre
No espelho das águas...


                                                 Marcia Portella

Tarde de poesia



Tarde de poesia ébria.
Versos insanos,música,
vinho derramado...
Imensamente tarde,
lembrando o entardecer.

Desejo oculto,lacrado em
pingo quente, ocultando
  Irônicas rimas dementes...

Cansada,desfigurada,cerro
os olhos na tela negra das
minhas pálpebras, quando 
à noite curva suas asas, no
mistério de suas teias escuras.

Fios sedosos sombreados,me
 enlaçam em rodopios loucos de
 uma sinfonia desenfreada;é o tempo
   escolhendo onde ficar nos...
 Momentos findos...


                                         Marcia Portella

sábado, 5 de dezembro de 2015

Te preciso



Por instantes,atrás da cortina
o néon explode sangrando no
branco da seda onde,colheste
minha seiva,regaste minhas flores,
e mataste minha sede, com tuas
mãos agitando-se como pássaros
brancos na noite fria...
Dormes agora como um Serafim;
com teus cabelos cacheados entre
amarfanhados lençóis de seda,com 
 tuas pálpebras tremulando como 
 asas de borboleta...
Saio de leve para teus sonhos
não despertar,levando-te em minha
pele na noite escura morrendo em 
cada passo que dou,com tua imagem
de anjo gravada na retina na
 madrugada fria...
                     Te preciso...


                                                        Marcia Portella





Doces venenos



Quando nossos olhares 
se encontram,
a tenção corta o ar
 como um feixe de raio laser.
Sinto você apossar da minha
alma e no desespero ser
você em mim...
Ao ser tocada por suas mãos 
sou flor projetada ao céu em 
pétalas mortas,ramos nus,
cheios de espinhos;em expectativa
febril de novas folhas ....
Em algum lugar,um grito corta o céu.
É mundo sibilando lá fora,
Em ...doces venenos...

                                                      Marcia Portella



sábado, 21 de novembro de 2015

Narciso




Solta-se leve,frágil ninfa.
Asas transparentes, voando para
 a realidade de morrer antes de
 ver sua imagem refletida no lago,
  e como Narciso por seu reflexo
 apaixonar-se...
Sente o amor escondido em algum
lugar iludindo,voando à luz do sol,
refletindo o dourado de suas
  asas rendadas...
Busca o prazer em pleno voo,
antes que a flor que vive no lago
faça que pouse eternamente;
caindo nas pétalas...
De Narciso.

                                     Marcia Portella

Sagrado


Amei amar, esse amor delirante,
sagrado, e doce de sua alma
estranha de poeta ...
Surgiu enchendo minha boca 
de doçura, com seus beijos 
antigos e lábios macios...
Em pêndulo oscilei em luz e 
 sombra, presa entre céu e inferno
 da consciência...
Em golpes de asas batalhei 
entre anjos,demônios,
amor e ódio...
Ofhélia... afogada ao luar 
 flutuando em amor na sua...

             Noite de morte.


                                     Marcia Portella

domingo, 8 de novembro de 2015

Lábios




O vento trouxe você em semente.
Quando entreabri os lábios entrou;
alojou em minha alma...
Por uma fração de segundo,
o mundo pareceu suspenso,
fora do tempo,ecoando apenas
um tênue vagido entre ...
Meus lábios entumecidos...

                               Marcia Portella

Diga





Diga onde está neste momento
para que siga tua lembrança...
Pintarei o rosto sumindo na 
mistura de cores;um vulto a te
velar na noite dos aflitos quando
 teu sono, despertar em gritos...
Neste momento...há de sentir...
Que em ti existo...


                                     Marcia Portella

Em vermelho




Conto contas e canto.
Resvalo nas cores
céu da boca cereja...
Verde mar ondula
Velejando sem pejo...
Lua surgindo...
Sentinela de prata
Na tarde que sangra...

                          Marcia Portella

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Partir e voltar




Quando o vento soluçar entre olmos
escurecendo meu olhar, lembrarei
que na ânsia de voar matei sonhos
no calor da realidade...
Desfiei colares de dores murmurando
ladainhas com gosto de mar...
Escorreguei na melodia dos poemas
afogando-me no rio saudade...
Trouxe a paixão que tornou-se amor
andando em praias de areias brilhantes,
vindo em mares sombrios;despidos de
sonhos ao canto de tristes fados...
O rosto...ah meu rosto...criou vincos
traçados pelo sal que aportou nos lábios;
veleiro à deriva do lume do olhar...
Não espero o amanhã...não peço pra ficar...
Tenho pressa de partir...
                   Tenho pressa de voltar..

                      Marcia Portella

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Rosário




A noite surgiu em
 pensamentos acariciando
 palavras proibidas,
asfixiadas no silêncio
afogadas, em horas vazias.
Soltou o fio que
enrolou o começo,
e o fim do desejo,
descendo em ondas
 dos meus cabelo...
Gestou segredos 
escondidos,renascidos,
do limbo cinzento...
dos esquecidos.
Cortou o fio da memória
caindo deslizante entre dedos
  como contas de um rosário,
 Inacabado... 


                                  Marcia Portella

domingo, 27 de setembro de 2015

Voz calada




Apesar da luz que irradia,
sinto que entrei em um mundo de
 sombras,recolhida no silêncio com
uma cortina de tule descendo
diante dos meus olhos...
O grito mudo de sua ausência some
espantoso entre as paredes ...
Ouço sua voz calada, sua respiração;
te amo no desespero dos aflitos...
Vejo seu caminhar no vulto encolhido,
solitário,que passa com os braços soltos
nos lados como anjos caídos...
Sozinha, cruzo as mãos em prece.
Cerro minhas pálpebras_borboletas
cansadas de dançar entre flores inquietas...
Velas acesas despejam sombras nas paredes.
Lamento como uma carpideira
 entoando ladainha.
Em desespero,brado em gritos infames
entre velas e flores;...não posso
 ficar parada no tempo!.
Entrego nossas almas à esteira rolante da 
da eternidade desço o véu.
Sigo em sombra...


                                                     Marcia Portella




Quieto silêncio




A tarde fervilha de libélulas em
rodopios ensandecidos...
O último raio de sol escorre do céu
brilhante,com suas pontas afiadas.
Sinto neste instante o tecido da vida
me coser em alinhavos de saudades...
Vejo o sol se por envelhecendo o dia, 
e os sonhos na tarde que finda...
Com o vento,lâmpadas suspensas
balançam criando um jogo de sombras
onde reviso o passado como um extenso
rolo de filmes antigos...
A memória acorda,cessa o vento, 
e transforma a vida em...
Quieto silêncio.


                                                  Marcia Portella

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Vida



Ah...vida bendita
Abriu minhas feridas
Cortou minhas asas
Acolheu minhas dores
Suavizou meus desatinos
Abraçou meus desenganos
santos e profanos...
Navegou meus mares
içando sua vela
levando meus fados...
Vida que é outra de mim
sem você será...morte
Fim...

                                    Marcia Portella

Longas folhas




Na janela,aperto-me
de encontro ao vidro
como uma planta de 
longas folhas...
Com as mãos espalmadas
busco num grito mudo 
fugir da saudade
Que vive em mim...


                                  Marcia Portella

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Fados


Jogar o barco ao mar.
Ouvir seus murmúrios
inquietantes...
Levantar o corpo vergado
em lamentos guardados.
Sentir a primeira estiagem
após longa tempestade...
Plantar asas no dorso.
Planar sobre as águas cantando
as dores de todos os fados.
Derramar no profundo pérolas
desgarradas que um dia
foram grandes ondas que
  desmancharam...
                          Em prais caladas.

                                                   
                                                                             Marcia Portella  

domingo, 16 de agosto de 2015

Moldador [de sonhos]



À noite,quase sempre
vem acompanhada da insônia,
que me impede de cair nos
braços da divindade...
Deus alado,que suavemente me
 acolhe em suas grandes asas.
Deita-me em seu leito de ébano
forrado de flores...
Seca meus olhos,
Anestesia meus tormentos,
aninhando seu corpo ao meu...
Absorvendo-me no mundo
dos sonhos...
Libertando minha alma.


                                               Marcia Portella

domingo, 2 de agosto de 2015

Versos seus





Em uma tarde de inverno
com o vento mostrando 
o caminho e a chuva 
cortando o ar...
Vou à seu encontro vestida
de poesia em estampas de 
versos seus,que são como sonhos,
dentro dos sonhos meus...
Cada um dos meus poros estarão
explodindo,faiscando em milhares  
de luzes de todas as cores como
um néon intermitente...
Enredada nesta profusão de cores,
sou leve sombra perdida...alma 
agonizando em despedida,
saindo invisível na madrugada fria...

                                   Marcia Portella

Seu mundo...







E seu mundo conheci a paixão...
Rasguei dores em serpentinas na 
cadência ousada de seus poemas...
Me atirei em seus braços colhendo
suas doces rimas...

Sonhei seus sonhos,descobri
 seus mistérios,amei seus pecados,
dancei sua música...
Fui coadjuvante em sua cena.

Perdi-me em seus alentos
Queimei em fogo ardente,fui terra
umedecida por sua seiva regada,plantada
em semente,germinada em madrugada...

Colhi sua luz,anseios e voos de liberdade.
Envolvi-me em sua felicidade triste...

Virei-me do avesso transformada em uma
versão desesperada de mim...
Cansada resvalei um beijo em seus lábios...
Despedindo nós dois...

                                        Marcia Portella

Sutil





Não sei como tudo começou.
Acho que devagar,de maneira sutil;como
um blues que entra suave embalando
em ritmo sonolento...
Como pisar em areia movediça,
sabendo do perigo...pisando leve 
na ilusão da volta...
Aventura,terra desconhecida,
Amarras soltas,farol apagado,
Ser prisioneira...aprisionar em 
uma só algema trancar...
Entre fachos de lua donzela procuro
minha alma arrebatada apenas,
por um olhar difuso...
A paixão vem em garras afiadas
rasgando a razão,deixando um 
rastro rubro de insanidade...
Liberdade ...não sei...talvez um intento
 de momento em algum lugar...
Da razão fria

                                                Marcia Portella

Tarde de verão






Em uma tarde de verão, você curvou
suas asas sobre mim me engolfando
em um silêncio triste...
Não me reconheceu pois meu rosto 
agora... é ilusão.
Não sou feita de matéria mas de sim
de memórias onde corpos parecem 
fumaça,e almas arrastam-se carregadas
de saudades e lembranças... 
A memória, traz um cheiro antigo de igreja
silenciosa onde raramente celebram cultos;
o musgo cresce nas paredes onde
tentáculos de heras invadem vitrais coloridos;não ouço o sino bater,o órgão...
A pia batismal está manchada de esquecimento...
Entro no confessionário vazio,onde não confessei meu amor que demorou no ar dançando à minha frente, como se fosse uma palavra proibida...
Sinto a embriaguez dos momentos passados transbordando com gosto do vinho que brindamos em outros tempos;lembro com saudade de suas asas que em uma tarde de verão, curvaram-se sobre mim.


                                                Marcia Portella

Malhas trançadas




Sob a pequena luminosidade do
crepúsculo,seus olhos eram como
 jóias brilhantes incendiados de luz...
Meus olhos perderam-se nadando
na trêmula lagoa do seu ansioso olhar...
Era como se visse minha saudade
oculta identificando-se como sua
saudade explícita...
Com a paixão em servidão que
arrasta qualquer um que nela persista;
na escuridão dos sentimentos, por 
trás da cortina rendada de meus olhos,
 sinto como se algo fosse apanhado na rede
afogando entre ondas...
Em um mar vasto e inexplorado perco-me;
Entre malhas trançadas...


                                                   Marcia Portella

                       


Evidências



A lua com sua luz perolada
atravessa  claraboia... 
Vejo minha sombra na vidraça
voando como uma borboleta  no
jardim da memória...
Meus sentimentos esparramam 
como peças de quebra-cabeça que 
e aos poucos vai formando minha figura,
 entre cartas,retratos e o gosto de usado...
A sombra da saudade me cerca congelada, 
tão próxima,que sinto seu sopro gelado.
  Vendo o passado sendo filtrado 
nos olhos do  presente
Apago a luz...

                                                       Marcia Portella

Adeus...




As pestanas repousavam em sua face
como um leque negro.
Sua sombra pareceu deslocar-se
do corpo e passar por minha pele
como se fossem mãos divinas...
Seus olhos me atravessaram
e seguiram além;até um lugar
de sofrimento,um inferno íntimo
que não me era dado penetrar...
Neste momento você se tornou
o canto ilusório de uma poesia  em 
um silêncio que feria meus ouvidos;
parecia uma figura medieval encerrada
em esguia catedral...
Com seu amor,tomou-me pela mão
e ao sentir seu calor foi como se escuro
 tivesse vida,tivesse forma,tivesse gosto,
 e não fosse nem dia nem noite.
Com sua voz na minha disse:
Adeus...

                                                     Marcia Portella

Fascinação




Poesia que plana leve,alva,
pena de prata ao luar...
Acaricia o amor na despedida
em melodia muda,surda,
embalada por acordes menores
 que a brisa sopra...
Provocante sussurra 
segredos suaves,doces,
perpetuamente encantados...
Pluma branca,fascinação que o céu
 derrama no inverno do tempo,
   escondendo sua essência que
 pulsa docemente oculta,
Na cortina do universo...

                                             Marcia Portella

Quando ele parte




O amor sempre morre...
Num final de tarde,
Em uma nesga de tempo,
Num rasgo de desilusão
de forma tempestuosa 
entre lençóis...
Morre no silêncio das vozes,
Em ecos solitários,
Perambulando por praças,
cinemas,ruas escuras
Na inércia dos sentidos...
O amor morre restando apenas
o rastro de um leve beijo nos cabelos
e o ruído doloroso da porta,
Se fechando...


                                                 Marcia Portella

Espiral




Talvez eu te procure com a pele ardendo
 em açoites,serpenteando enrolada em
 espiral,à procura de um atalho para que
 sigamos mais que sombras no amar.

Vou surgir em corpo esguio de  bailarina
 cabelos negros abundantes de matizes
  espalhados em intrincados espirais...

Trarei o incensário em fogo com aromas
  esvoaçantes em enxames de sensações...

Juntos em giros e carícias múltiplas faremos
o caminho inverso no tempo, sombreados
na travessia do breu ,exalando versos,
Que recolho ao amanhecer...


                                                Marcia Portella